E, porquê?
Porque, sendo um livro testemunhal de vida não deveria obedecer a esclarecimentos, porque o testemunho já por si impõe-se com a VIDA o que é o caso.
A nota introdutória enumera com realismo as vivências das sociedades actuais, onde a “competividade”, tantas vezes ou, quase sempre, é um mito, que alimentando os nossos egos, quase sempre nos desvia do essencial da vida.
E, o essencial, o Autor com a sua vida estabelece as suas diversas fases antes da doença, durante a doença e, finalmente na fase em que a superou.
Não deixou de se revelar sempre com sinceridade, quando mesmo ao referir-se “… em relação à escola, a coisa funcionava de maneira diferente, pois nunca gostei muito de estudar”.
Ele descobriu essa VERDADE.
É um gesto simples revelador de uma caminhada em humildade.
E, a humildade é a Verdade.
VERDADE, que , ao longo do livro e, pelas formas como sai de uma religiosidade-popular, tende ao cultivo de uma Espiritualidade, daí que religiosidade não seja sinónimo de espiritualidade (?).
Não foi uma vida fácil, mesmo quando era um passageiro da noite com todos os ingredientes, que a noite pode envolver num misto de atracção, exibicionismo e, culto secularizado.
Adoeceu e, os sinais aproximativos de DEUS fizeram-no estremecer, e, de uma forma não já tão “doce”, o Senhor, porque o queria para a Sua messe provocou atracção com sinais de doença, que inexplicavelmente o fez sofrer muito nas demonstrações representativas de medos, bloqueios…
Era já o Senhor a tentar fazer-se presente na vida do Autor, reagindo este, nas formas à altura, como sabia, recitação do terço, missas, e, olhar para o outro, que encontrando-se pobre levava a que o Nelson revelasse expressões de compaixão, ímpetos de misericórdia, que o entendeu bem, quando interiorizou, os quadros da Paixão do Redentor, vindo a praticar com a sua vida no quotidiano.
Mesmo na descoberta da sua vocação,( chamamento), veja-se, como atravessou um rumo à terra Prometida, tal como o Povo Eleito, quando se vai desinstalando, renunciando, meditando profundamente ao ponto de se libertar da sua doença, quando segue a oração silenciosa ( contemplativa ).
E é através desse meio, que em silêncio vai descobrindo as decisões do Seu Senhor para a Sua vida.
Mesmo, quando ainda tem alguns resquícios da sua doença não deixa de através da meditação e oração procurar controlar-se.
E, consegue-o…
O culminar do despreendimento e, da mudança de vida tem nas experiências missionárias o seu ponto culminante.
O regresso a Portugal, depois da experiência, porque passou no estrangeiro desenvolveu nele uma reafirmação de Fé, quando se decide ao trabalho de leigo.
E, termina com as últimas considerações, que são bem a ilustração exemplificativa de que quem caminha para Deus deve-o fazer com humildade em oração e, caridade.
Nos anexos não deixou de transcrever uma metodologia séria, pessoal, íntima no relacionamento com Deus nos diversos Exercícios Espirituais, que a par de outros pensamentos e reflexões pessoais ajudarão a caminhar para Deus, caminhando, tropeçando, caindo, contando-se sempre com a ajuda do Senhor, que nos acolhe sempre com rasgos de MISERICÓRDIA.
Amem.""
Rui Manuel Paralta Salgueiro


















...








