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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Eu menina e Ele IV

E a noite de Natal chegava mais uma vez! Desta vez a alegria parecia ter desaparecido dos corações das pessoas, que cada vez mais se fechavam em si próprias, de rostos sisudos, olhares vazios, acabrunhadas nos seus casacos, parece que iam aos poucos desaparecendo de cena, enquanto se movimentavam pelas ruas, carregando um fardo muito pesado. A cada ano, parece que as coisas se iam agravando...

Eu menina, não entendia muito bem, mas havia uma palavra que todos proferiam com insistência…Crise… E sabia que por causa da crise, muitas pessoas haviam perdido o seu trabalho e o sustento das suas vidas. Era complicado, mas…Não se podia fazer nada? Talvez não pudéssemos resolver a crise, talvez não pudéssemos resolver os problemas de toda a gente, mas se calhar podíamos fazer-nos presença junto de alguém que estivesse próximo… Eu menina, ia pensando em todas estas complicações de adulto e foi aí que me lembrei que na rua morava uma menina, mais nova uns anos que eu, e que os seus pais por causa da crise tinham perdido o trabalho. Num ápice levantei-me e fui ao quarto das bonecas, escolhi a mais bonita, ia dá-la á Cláudia, talvez ela ficasse menos triste. Mas, hesitei…Porque pensei – Será que têm o que comer? Que adianta dar-lhe uma boneca se a Cláudia tiver fome…? A boneca não servirá de nada. Decidi então que ia pedir á minha mãe que me desse algo para levar á família da Cláudia…
Entrei de mansinho na cozinha, a minha mãe preparava a ceia de Natal e viu logo que eu queria algo…
- Então, que se passa?
- Mãe, por causa da crise, achas que as pessoas ficam sem ter o que comer?
- Sim, menina…Infelizmente isso acontece…Mas porquê?
- Lembrei-me da Cláudia…Será que me podias dar algo para eu lhe levar?
- Claro que sim!
- Ó que bom mãe!! Vou também levar-lhe uma boneca!!
Mas, ainda mal tinha passado a porta da cozinha, quando tive uma nova ideia… E voltei atrás…
- Mãe! E se fossem mais pessoas a dar comida à Cláudia e aos seus pais, se calhar seria melhor, que achas?
- Sim, seria certamente, mas, em que estás a pensar?
- Vou sair e tratar disso agora mesmo antes que chegue a noite…
E antes que a minha mãe pudesse dizer algo, já eu menina ia correndo rua fora, nem me atrevi a olhar para trás… Para além de ter que tratar este assunto, não podia de modo algum descurar o momento que eu sempre esperava em cada Noite de Natal, no passeio…Que surpresa ele me reservaria este Natal, ia-me inquirido, enquanto me preparava para bater á primeira porta…
Fui muito bem recebida naquela casa, na outra e na outra! Todos acolheram com muito carinho a minha ideia. Em todas as casas havia alegria e cheirinhos de Natal. Passei porém, junto à casa da Cláudia e aí tudo estava sossegado, como que adormecido, esquecido, talvez. Parei um momento, senti a tristeza aproximar-se de mim, como devia ser triste...E tudo por causa da crise... Mas, continuei de porta em porta. Não esquecendo nenhuma!
E a noite ia começando a cair. Devia estar quase na hora de todos nos encontrarmos na minha casa. Rumei até lá, a minha mãe já havia preparado o que levaríamos!
- Até que enfim apareces, onde andaste, menina? Pareces cansada?
- Eu? Não! estou feliz!!
- Então? O que andaste a inventar?
- Já vais ver...

Nesse momento começaram a chegar os vizinhos com a partilha do seu Natal, que juntos levaríamos à família da Cláudia. E assim foi, éramos muitos, e todos levávamos um pouco. Eu menina, estava realmente cansada, mas ao mesmo tempo tão feliz que não conseguia explicar! Antes de partirmos, colhi ainda umas flores no jardim para a Cláudia!

O momento de bater na porta da casa da família, foi-me reservado. Eu bati, o meu coração batia fortemente, de alegria, sim!!
Quem veio abrir foi a mãe da Cláudia. Reparei no seu rosto triste, e depois de muito espanto quando viu todos os vizinhos da rua:
- Boa Noite...O que se passa?
Logo veio juntar-se a Cláudia e o pai. Então foi a vez de eu menina explicar:
- Dª Mariana, sabemos que as coisas não estão fáceis, por causa da crise, por isso quisemos hoje, nesta noite de Natal fazer-nos presença e trazermos um pouco do que temos...
Nem consegui terminar a frase, a Dª Mariana, ergueu-me num abraço...E nesse momento, lembrei-me do ABRAÇO FORTE FRACO DA PAZ, era Ele que me estava abraçando?!! O meu coração batia a um ritmo alucinante e eu, menina, sorria para Ele... A Dª Mariana continuou:
- Obrigado, menina, obrigado a todos vós. Hoje é Natal, porque o menino nasceu, e ele visitou a minha família...
A Dª Mariana chorava de emoção. A Cláudia também me deu um abraço enorme. Dei-lhe as flores e ela ficou muito feliz! 
 E eu menina senti também uma felicidade imensa, todos estávamos muito felizes e voltamos para nossas casas, para as nossas famílias com o coração a transbordar de felicidade, de Natal!

Ao entrar em casa, eu menina aproximei-me da janela...Era noite e a rua já estava absorta no seu silêncio. Olhei o passeio, o lugar mágico...este ano não tinha tido tempo de ir até lá...eu menina culpava-me, quando bem dentro do meu coração ressoaram fortemente umas palavras... - Presenteia-me compartilhando este abraço com a minha família, que também é tua... Ama-os com respeito. Respeita-os com ternura. Sê terno com carinho. Acaricia-os com justeza. Julga-os com amor... Foi isso que fizeste! não te esqueças que te amo e tem um feliz Natal!

Obrigado Jesus!
da tua menina!

Para quem não leu:

Votos de Feliz e Santo Natal, para todos os meus amigos, familiares e visitantes!

1 comentário:

Suzana disse...

Adorei seu espaço. Parabéns!!