
Á hora marcada eu lá estava, no IPJ de Castelo Branco, os alunos foram chegando sentaram-se longe, não me conheciam, não queriam intimidade, talvez... ou apenas não se sentiam muito á vontade...não sei...eu sim, sentia-me como me sinto em qualquer sítio...á vontade, sem problemas, a Professora Fátima convidou-os a aproximarem-se e eles um pouco relutantes acabaram por o fazer...
Bom dia para todos! Apresentei-me, frizando que não era professora... perguntei se estavam bem dispostos...tinham frio...falei-lhes de calor humano...e de uma palavra projectada na tela... - DARFUR -
Não conheciam...nunca tinham ouvido falar... normal, o costume...
Iniciamos com a assinatura deles numa folha de papel em branco, um compromisso que eles assumiram...estavam ali para algo...embora não conseguissem vislumbrar o quê...?
Trocamos as voltas e iniciamos com uma lista dos seus desejos, de algo que eles quisessem muito, e as respostas andaram á volta de - uma mota, um portátil, um telemóvel, viagens de ida para o Brasil, França...registamos e avançamos...
O anfiteatro ficou em silêncio, mergulhado na escuridão para assistirmos ao Documentário:
Os testemunhos eram chocantes, e eu não conseguia ouvir nem a respiração deles.... os olhos e os seus coração estavam naquela tela, estavam naqueles pessoas que eles nem sabiam que existiam...
Quando as luzes se acenderam...os olhos deles estavam diferentes...
"não pode ser"..."não é justo" iam dizendo...
Disse-lhes que depois de ver aquelas imagens ninguém fica como antes...
mas ainda assim há duas atitudes que podeemos ter, uma é:
- Fechar os olhos (tapei os meus olhos com a echarpe)
Calar a voz
Cruzar os braços
e dizer... Não, eu não vi nada, eu não conheço as pessoas, nem nunca as vou conhecer, e Darfur é muito longe, sigo a minha vida como se nada fosse...vou esquecer as imagens!
Ou então...
- Tiro a venda dos olhos
Uso a minha voz
Descruzo os meus braços
e foi isso que fiz...essa a razão porque estava ali a falar-lhes de Darfur!
Quando lhes disse que eles podiam ajudar ficaram admirados, perante uma tragédia, um drama humanitáriuo tão grande...dizer ás pessoas que podem ajudar , deixa-as preplexas... foi assim que eles ficaram, e expliquei-lhes então que era URGENTE ajudar Darfur, o tempo está a esgotar-se, mas ainda há tempo...
COMO???
Participem na
Hora PorDarfur (muitos já se associaram neste laço de Oração!)
Ponham Darfur nos jornais...e mostrei-lhe os
jornais da cidade, que em duas semanas consecutivas conseguimos escrever lá a palavra -
DARFUR - ...
e como um boato que se espalha de imediato... espalhem Darfur...digam a todos que:
DARFUR EXISTE!
E os jovens e professores
comprometeram-se a dizer a toda a gente!
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Tiveram ainda tempo para recordar a sua lista de desejos...
e sentiram que se calhar e afinal até tinham coisas a mais,
e nem sequer lhe davam valor,
que aquelas pessoas, apenas queriam PAZ,
que aquelas pessoas torturadas, espezinhadas,
nem sequer havia nelas o sentimento da revolta,
nem da vingança...apenas queriam PAZ...
Darfur e o seu povo é uma lição de vida para todos nós,
sem dúvida!
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Em solidariedade com as vítimas de Darfur
alunos e professores colocaram o laço preto!
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Desta Acção de sensibilização e informação Por Darfur
nasceu uma carta colectiva
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Um dos alunos deu uma ideia...
Que deveriam levar Darfur
á Tvi, talvez ás tardes da Júlia...
Porque era algo urgente,
que tem que ser tratado!
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A todos os jovens e professores
que tornaram possivel este encontro
e pelo bom acolhimento que senti,
deixo um AbrAÇo de AmIzadE!!
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